quarta-feira, 26 de março de 2014

o MUNDO é bão SEBASTIÃO ♪


Hoje é um daqueles dias que não deu pra sorrir como de costume na frente do espelho ao passar o batom vermelho. Na verdade não foi o relógio que atrasou, mas desacelerei pra acelerar (há lógica nisso?) não cumpri nenhum dos horários como é de costume, atrasei contas (me obrigando inclusive a pagar juros), me alimentei mal e comi algumas porcarias que a muito não comia pelo prazer de não cumprir, de não seguir, de não repetir, de perder, de permitir. Permitir ao menos um dia que a ausência de lógica tomasse meus dias. Faltei compromissos e me esforcei bastante pra ser irresponsável ao menos um dia da vida.... tão breve vida e eu aqui fazendo cálculos, montando e amontoando roupas e coisas, evitando casos, implorando ao acaso algo realmente novo de novo.
É verdade que perdi a passagem, mas não a viagem.
Falta-me o sono, sobra sonhos...

Amanhã é dia de pagar pelos erros que não cometi, deixar seguir o que não veio pra ficar...


Ah, o dia ANOITECEU bom... ;)
O titulo ironicamente é de uma música cantada pelo meu ruivo.Agora pra seguir a ausência de lógica do dia a Joelma (ex- calypso) segue cantando: Lambando estarei ao lembrar que este amor por um dia um instante foi rei/A recordação vai estar com ele aonde for.."

Na verdade é que na bagunça do dia de hoje (idem com o meu quarto) pude me encontrar, me perder em cada coisa que antes fazia sentido, somos seres tão vulneráveis (ou seria a vulnerabilidade das coisas?) e podemos morrer todos os dias.


A sorte é que nascer é subjetivo e cabe "tão somente a si" esse direito que soa pra mim como dever,  nascer das cinzas(cinzas como as dos incensos  que queimam em sintonia com a vela no meu quarto: harmonia, compreensão, intuição,  meditação, crescimento espiritual, serenidade e bem estar...detalhe são quatro diferentes, mas que segundo a embalagem propiciam tais estados, coisa boa né? rsrsrs mas "eles" vem de dentro, como os monstros que hoje alimentei na frustrada tentativa de conhecê-los)

Realmente sou a verdadeira bagunça, mas que sorte tenho em ser assim...
O sono não vem e hoje não vou terminar com a teoria do consumidor e nem tampouco a LRF e suas penalidades, e Agora José?? O que fazer? Ops, tá ai... Meu CARLOS, vamos lá ser guache e viver a insônia de cada dia.



Das coisas que dão prazer: CARLOS, FERNANDO REIS,ECONOMIA, POESIA, TOM, AMOR, AMIZADE, AFETO, FAMÍLIA, NATUREZA, CHOCOLATE, VINHO, PÃO DE QUEIJO, CAMARÃO, SUSHI, MAÇA, ÁGUA, AMIGOS, VERMELHO, BATOM, VIVER, ASTROGILDO, VIAGEM, DORMIR, COMER, CORRER, VER, NADAR, PERDER, PERAMBULAR, CHORAR, SORRIR, ASSISTIR,CHEGAR, PARTIR, SAUDADE MATADA DE AMOR MORRIDO, FOTO, FÉ, CAFÉ, CARIRI, CUNHADA, ZOÉ, ADELE, ICE- T,DOCE, FRANGO, SALGADO, ABRAÇO, FILOSOFIA, AUSÊNCIA DE LÓGICA,METÁFORAS, LEONI, LENINE, ZECA, ZEZÉ,CRIANÇA, NATAL, MAR, PAZ,MACROECONOMIA,LAGOA,TEATRO, CRIANÇA,PONDÉ, XICOSÁ, SÓ - TÁ.;)

sábado, 22 de março de 2014

Da natureza... "inflexões" via Clarice







Bem poderia ter sido levado em conta o pavor que desde pequena me alucina e persegue, os ratos já riram de mim, no passado do mundo os ratos já me devoraram com pressa e raiva. Então era assim?, eu andando pelo mundo sem pedir nada, sem precisar de nada, amando de puro amor inocente, e Deus a me mostrar o seu rato? A grosseria de Deus me feria e insultava-me. Deus era bruto. Andando com o coração fechado, minha decepção era tão inconsolável como só em criança fui decepcionada. Continuei andando, procurava esquecer. Mas só me ocorria a vingança. Mas que vingança poderia eu contra um Deus Todo-Poderoso, contra um Deus que até com um rato esmagado poderia me esmagar? Minha vulnerabilidade de criatura só. Na minha vontade de vingança nem ao menos eu podia encará-Lo, pois eu não sabia onde é que Ele mais estava, qual seria a coisa onde Ele mais estava e que eu, olhando com raiva essa coisa, eu O visse? no rato? naquela janela? nas pedras do chão? Em mim é que Ele não estava mais. Em mim é que eu não O via mais.
Então a vingança dos fracos me ocorreu: ah, é assim? pois então não guardarei segredo, e vou contar. Sei que é ignóbil ter entrado na intimidade de Alguém, e depois contar os segredos, mas vou contar - não conte, só por carinho não conte, guarde para você mesma as vergonhas Dele - mas vou contar, sim, vou espalhar isso que me aconteceu, dessa vez não vai ficar por isso mesmo, vou contar o que Ele fez, vou estragar a Sua reputação.
... mas quem sabe, foi porque o mundo também é rato, e eu tinha pensado que já estava pronta para o rato também. Porque eu me imaginava mais forte. Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil. É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda. E é também porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque sempre tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria - e não o que é. É porque ainda não sou eu mesma, e então o castigo é amar um mundo que não é ele. É também porque eu me ofendo à toa. É porque talvez eu precise que me digam com brutalidade, pois sou muito teimosa. É porque sou muito possessiva e então me foi perguntado com alguma ironia se eu também queria o rato para mim. É porque só poderei ser mãe das coisas quando puder pegar um rato na mão. Sei que nunca poderei pegar num rato sem morrer de minha pior morte. Então, pois, que eu use o magnificat que entoa às cegas sobre o que não se sabe nem vê. E que eu use o formalismo que me afasta. Porque o formalismo não tem ferido a minha simplicidade, e sim o meu orgulho, pois é pelo orgulho de ter nascido que me sinto tão íntima do mundo, mas este mundo que eu ainda extraí de mim de um grito mudo. Porque o rato existe tanto quanto eu, e talvez nem eu nem o rato sejamos para ser vistos por nós mesmos, a distância nos iguala. Talvez eu tenha que aceitar antes de mais nada esta minha natureza que quer a morte de um rato. Talvez eu me ache delicada demais apenas porque não cometi os meus crimes. Só porque contive os meus crimes, eu me acho de amor inocente. Talvez eu não possa olhar o rato enquanto não olhar sem lividez esta minha alma que é apenas contida. Talvez eu tenha que chamar de "mundo" esse meu modo de ser um pouco de tudo. Como posso amar a grandeza do mundo se não posso amar o tamanho de minha natureza? Enquanto eu imaginar que "Deus" é bom só porque eu sou ruim, não estarei amando a nada: será apenas o meu modo de me acusar. Eu, que sem nem ao menos ter me percorrido toda, já escolhi amar o meu contrário, e ao meu contrário quero chamar de Deus. Eu, que jamais me habituarei a mim, estava querendo que o mundo não me escandalizasse. Porque eu, que de mim só consegui foi me submeter a mim mesma, pois sou tão mais inexorável do que eu, eu estava querendo me compensar de mim mesma com uma terra menos violenta que eu. Porque enquanto eu amar a um Deus só porque não me quero, serei um dado marcado, e o jogo de minha vida maior não se fará. Enquanto eu inventar Deus, Ele não existe.
  clispector assinatura

quinta-feira, 13 de março de 2014

Não te rendas!


Não te rendas, ainda é tempo
De se ter objetivos e começar de novo,
Aceitar tuas sombras,
Enterrar teus medos
Soltar o lastro, Retomar o vôo.

Não te rendas que a vida é isso,
Continuar a viagem,
Perseguir teus sonhos,
Destravar o tempo,
Correr os escombros
E destapar o céu.
Continuar a viagem, Perseguir teus sonhos, Destravar o tempo, Correr os escombros E destapar o céu.

Não te rendas, por favor, não cedas,
Ainda que o frio queime,
Ainda que o medo morda,
Ainda que o sol se esconda,
E o vento se cale,
Ainda existe fogo na tua alma.
Ainda existe vida nos teus sonhos.

                                   



Porque a vida é tua e teu também o desejo

Porque o tens querido e porque eu te quero
Porque existe o vinho e o amor, é certo.
Porque não existem feridas que o tempo não cure.
Abrir as portas,
Tirar as trancas,
Abandonar as muralhas que te protegeram,




Viver a vida e aceitar o desafio,
Recuperar o sorriso,
Ensaiar um canto,
Baixar a guarda e estender as mãos
Abrir as asas
E tentar de novo
Celebrar a vida e se apossar dos céus.




Não te rendas, por favor, não cedas,
Ainda que o frio te queime,
Ainda que o medo te morda,
Ainda que o sol ponha e se cale o vento,
Ainda existe fogo na tua alma,
Ainda existe vida nos teus sonhos
Porque cada dia é um novo começo,
Porque esta é a hora e o melhor momento
Porque não estás sozinho, porque eu te amo





[Meu Mario...]

segunda-feira, 10 de março de 2014

Morada

Faço de mim

Casa de sentimentos bons
Onde a má fé não faz morada
E a maldade não se cria

Me cerco de boas intenções
E amigos de nobres corações
Que sopram e abrem portões
Com chave que não se copia

Observo a mim mesmo em silêncio
Porque é nele onde mais e melhor se diz
Me ensino a ser mais tolerante, não julgar ninguém
E com isso ser mais feliz

Sendo aquele que sempre traz amor
Sendo aquele que sempre traz sorrisos
E permanecendo tranquilo aonde for
Paciente, confiante, intuitivo

Faço de mim
Parte do segredo do universo
Junto a todas as outras coisas as quais
Admiro e converso

Preencho meu peito com luz
Alimento o corpo e a alma
Percebo que no não-possuir
Encontram-se a paz e a calma

E sigo por aí viajante
Habitante de um lar sem muros
O passado eu deixei nesse instante
E com ele meus planos futuros
Pra seguir

Sendo aquele que sempre traz amor
Sendo aquele que sempre traz sorrisos
E permanecendo tranquilo aonde for
Paciente, confiante, intuitivo

[Forfu- Morada]

terça-feira, 4 de março de 2014

É sagrado viver


Tenho diante de mim o pulsar sereno de convicções adquiridas. Pudera eu comunicá-las com a mesma serenidade com que pulsam. 
Sinto-me no direito de dizer. Tens o direito de não considerá-las.
Acredito que viver o conflito consiste em ter nas mãos metade da mudança. Eu sei que mudança de comportamento não se quantifica, mas percebe-se pelo instaurar sereno da paz em nós. É isso o que queremos, é isso o que buscamos.
O que importa é não fugir, e assumir o autoconhecimento como investimento necessário, afinal tu serás o companheiro que terás de aturar a vida toda. O que és, o que podes, o que não podes e o que deves serão a pauta na qual a vida se inscreverá. Os sonhos e as realidades deverão ser desvendados e, aos poucos, terás de possuir a síntese das duas instâncias. Sonhar sempre, mas o sonho possível, aquele que se percebe brotar da realidade existencial pousada sobre as mãos.
O que tens hoje nas mãos? O que te é possível? Certamente é o que precisas para a luta que hoje tens de travar. Penso que a ansiedade que existe em ti tem sua raiz no discurso da falta. Buscas o preenchimento de um mundo de ausências que se estabeleceu ao longo de tua vida...
Sei o quanto te custa conviver com isso, afinal viveste muito tempo sob o peso da exigência e da cruel comparação aos outros. E por mais verdadeiro que seja o amor que te dedicaram, no fundo, lá onde pulsa a tua solidão ôntica, esse amor nunca bastou. Daí nasce a falta, a ausência e a necessidade do discurso metafórico que tanto utilizas. 
Metáfora é o requinte com que vestimos a realidade. Ela é o disfarce do real, mostrado, exposto, mas sem revelar.É a luta para que o simples seja maquiado e não seja revelado em seu despojamento. Com a metáfora, nós tentamos nos livrar do desconserto da nudez.
Não há nenhum problema em revestir a vida de metáforas. São elas que nos salvam da mesmice, que dão cor aos nossos dias. Sem elas, a realidade nos esmagaria com seus fardos. Mas há que se cuidar de um detalhe. Não é justo tornar a vida uma metáfora.


Por isso, não temas o momento do despojamento. Compreenderás, com ele, que a vida é só o que temos. Só ela realmente importa. 

[...] Sei que queres o aprimoramento do teu ser. Primeiro passos já foram dados. Hoje tu és mais livre do que foste ontem, afinal o querer é a primeira configuração do realizar. Ele é essência do ato de ser livre, e por meio dele nos inserimos na dinâmica da vida. Quem não alimenta o seu querer, mesmo que ainda respire, pode ser considerado morto.

(É Sagrado viver, p. 113 - Pe. Fábio de Melo)

Quarta-feira de cinzas (já?), madrugada, leitura breve, aulas puxadas... e a meta sempre clara!