sexta-feira, 25 de abril de 2014

terça-feira, 8 de abril de 2014

SEXTA-FEIRA À NOITE




Sexta-feira à noite

os homens acariciam o clitóris das esposas
com dedos molhados de saliva.
O mesmo gesto com que todos os dias
contam dinheiro papéis documentos
e folheiam nas revistas
a vida dos seus ídolos.



Sexta-feira à noite
os homens penetram suas esposas
com tédio e pênis.
O mesmo tédio com que todos os dias
enfiam o carro na garagem
o dedo no nariz
e metem a mão no bolso
para coçar o saco.



Sexta-feira à noite
os homens ressonam de borco
enquanto as mulheres no escuro
encaram seu destino
e sonham com o príncipe encantado.



[Marina Colasanti]



domingo, 6 de abril de 2014

E pouco eu não quero...


Pronto
Agora que voltou tudo ao normal
Talvez você consiga ser menos rei
E um pouco mais real
Esqueça
As horas nunca andam para trás
Todo dia é dia de aprender um pouco
Do muito que a vida traz.

[...]

Chega
Não me condene pelo seu penar
Pesos e medidas não servem
Pra ninguém poder nos comparar
Porque
Eu não pertenço ao mesmo lugar
Em que você se afunda tão raso
Não dá nem pra tentar te salvar

[...]
Veja
A qualidade está inferior
E não é a quantidade que faz
A estrutura de um grande amor
Simplesmente seja
O que você julgar ser o melhor
Mas lembre-se que tudo que começa com muito
Pode acabar muito pior

[...]
E pouco eu não quero mais
Pouco eu não quero mais.
Pouco eu não quero mais.



quinta-feira, 3 de abril de 2014

“Não abandone o barco em alto-mar”

Sobre as adversidades dos últimos dias, tal como o mar que enfrenta as tempestades, mas temente ao sol e calmaria do dia seguinte. Tempo de "estar ausente", de ouvir o barulho do mar que canta ao longe os versos: 

... marinheiros perdidos em portos distantes,em bares escondidos,em sonhos gigantes(...) e a cidade vazia da cor do asfalto e alguém me pedia que cantasse mais alto
Quem me leva os meus fantasmas?
Quem me salva desta espada?
Quem me diz onde é a estrada?
[...]
E eu bebia da vida em goles pequenos
Tropeçava no riso, abraçava venenos
De costas voltadas não se vê o futuro
Nem o rumo da bala
Nem a falha no muro
E alguém me gritava
Com voz de profeta
Que o caminho se faz
Entre o alvo e a seta
                                 De que serve ter o mapa
Se o fim está traçado

De que serve a terra à vista
Se o barco está parado
De que serve ter a chave
Se a porta está aberta
De que servem as palavras
Se a casa está deserta?


Deserta e um tanto desorganizada, logo eu que tanto prezo pela ordem de cada objeto da casa, pelo desarrumado dos livros, da mesa, dos sapatos, do cabelo, das ideias... sempre preocupada com a nomenclatura de cada item do armário, sem compreender se o momento agora cabe um ponto ou uma vírgula.
Basta, sono e sonhos depois de um dia com tanta oferta e demanda ao longo das curvas de possibilidade de produção.

Ps. O Titulo é de Garcia , um dos meus escritores preferidos que encontra-se hospitalizado. Música de Bethânia que ironicamente canta agora "por favor entenda é o meu jeito de viver o que é amar..."