domingo, 29 de junho de 2014

Só

Ando só, permaneço só... vim só!
Não faço tanta questão de ser par, afinal cheguei por aqui sozinha, nada me obriga a terminar a história acompanhada, porque às vezes é ser ímpar que soa mais bonito, mais nobre, rende-me rima e algumas coisas que arrisco chamar de poesia. 
Ocupo muito espaço por isso que deixo sempre dois ou três bancos desocupados para ocupar meus pés cansados de tanto caminhar por ai e de se perder... mesmo sendo muito os dias nos quais me encontro sozinha, muito bem, obrigada. 


Ora, ora, velho discurso de quem tem sempre alguém no seu balão a acompanhar, seja um amigo, um quebra galho, um livro, um litro, um singelo sorriso... Viver é indiferente quando a gente decide que no modelo é preciso sempre SOMAR, digo, sonhar!


Bons sonhos porque já "tarda" e é hora de dormir.

Bonjour, Madame... é o que anuncia meu copo com água no criado-mudo... muita sorte a minha ele silenciar meu caos cotidiano ;)  

domingo, 15 de junho de 2014

O universo que me perdoe, mas o tempo podia passar mais lento

Ê, tempo que passa rápido! De repente, a gente sente que vai-se a juventude, como o domingo que anoitece. De um segundo ao outro, seu filho bebê acorda um moço ousado, lindo, seguro. Assim, num estalo, você sente a saúde frágil e acusa o pavor de um dia faltar aos seus. Então, você tem a impressão de que já entrou na segunda metade da vida e um medo danado congela suas vísceras.
Um sentimento de temor vem cheio de questões armadas de lanças afiadas, como gárgulas voadores avançando sobre o seu pescoço. Por que a vida passa tão depressa? Por que fazer tantos planos se ninguém sabe o dia de amanhã? E se tudo isso acabar agora?
Daí você se dá conta de que tudo, absolutamente tudo está sempre acabando agora. Você pisca e todos desapareceram, a mesa do almoço no domingo em família, o domingo, a família. O clima ameno dos encontros afetuosos, os sorrisos fáceis, a viagem perfeita. Tudo mergulha na sombra tão rapidamente, e você se sente como a criança brincando sozinha no escuro do desamparo.
De súbito, pessoas voltam para o interior de seus parênteses, a mesa e a sala se tornam vazias, o clima manso e os sorrisos viram lembranças.
Por que injustiça suprema e irrefutável os amigos da gente se vão? Por quê? Sim, é certo que tudo na vida uma hora acaba. Tudo passa. Mas, aqui entre nós, algumas coisas podiam passar mais devagar, né?
Mas aí, diante de todas as nossas perguntas, vem Ela, a vida, acompanhada de sua resposta implacável. A vida e sua vantagem soberana sobre a morte. A vida conspirando nas frestas. A vida renascendo, ressurgindo, fazendo e acontecendo. Vem a vida como resposta única para todas as perguntas. Vem a vida. Venha, vida! Chega mais. Chega aí.
VEM VIDA...

Vem chutando alto, nivelando por cima. Vem e nos empurra para a frente. Vem, renasce com o amor superando a distância, vencendo suas demandas. Vem na cura, na escuta, no esforço doloroso da compreensão e do perdão. Vem a vida na criança que nasce gritando sabedoria. Vem em sua potência e seu escândalo, sua força e sua insistência. Vem no medo, no susto e na coragem impercebida de quem os enfrenta pela simples necessidade de seguir vivendo.
A vida vem na poesia de sua fábrica de encontros e desencontros e lembranças e nostalgias. Vem no riso triste da moça, no empenho das formigas, nas boas intenções, no trabalho honesto, na dignidade de cada um, na negação da estupidez, nos pequenos milagres de todos os dias. Vem no arrebatamento das crianças vivendo a manhã de suas vidas. Vem até na solidão.
Vem a vida em sua energia secreta e natural, intraduzível e irrevelada, cozinhando devagar suas transformações de cada dia, em silêncio. Conspirando para fazer o nosso tempo passar mais devagar.
Exuberante, impávida, vem a vida na negação absoluta da maldade, da opressão, da corda no pescoço. Vem a vida, colossal, arrebentando o solo concreto, as paredes, os pilares, explodindo na liberdade pura e simples de cada um de nós. Liberdade a cada um de nós concedida para ser usada como nos convier, no claustro doce da companhia do ser amado ou no desprendimento de escolher andar só.
E, finalmente, Ela vem na consciência plena do desastre inevitável. Vem na certeza irrefutável de que uma hora tudo isso acaba. E só acaba, ora essa, para ter tempo de recomeçar em seguida, como a segunda-feira depois do domingo. É assim que é. Assim vem a vida. Venha, vida. Manda embora nossos medos e nossas angústias. Vem depressa, mas passa devagar. Faz o tempo andar mais lento e prazenteiro, chuviscando seus segundos sobre os seres de boa vontade. Venha, vida. Chega junto. Vem aí.
Autor:  André J. Gomes. Disponível em Revista Bula.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Quem sabe você?



Você que é tão sensata,tão cheia de si
Sempre fazendo festa e se sentindo tão só
Você que sempre agrada e sem perceber
Insiste em seguir um caminho
Que não é...

Você!... Carrega o mundo e não vê que ser...

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Insustentável leveza do ser.


O drama de uma vida pode ser explicado pela metáfora do peso. Dizemos que temos um fardo sobre os ombros. 
Algumas pessoas aceitam carregá-lo, outras não. 
Essa é a verdadeira insustentável leveza do ser.

[Milan Kundera ]