domingo, 5 de setembro de 2010



Mexendo aqui em minha bagunça encontrei um livro que havia lido algum tempo atrás, recordo-me até de ter falado alguma bobagem, pois na época eu vivia algo parecido... meus amores descartáveis, vixee e faz um tempo isso tudo...Bom, mas a segunda experiência foi mais rica que a primeira, como se era de esperar. Segue trechos que por conseguirem ora me lembrar de um amor passado, ora de um amigo presente, de uma dor “doida”, de uma bobagem qualquer que quer queira ou quer não fizeram (fazem) parte de minha vida sem graça, talvez tenha sido nessa parte que eu tenha me encontrado com a escrita do Gabriel, pois ao decorrer da história nota-se que apesar de um homem de 90 anos se apaixonar por uma criança, sim 14 anos... e nunca ter visto ela acordada existe algo verdadeiro: o amor. A partir disso é necessário avaliar... o que realmente vale na vida? 90 anos e muitas experiências ele agora busca somente o que pode dar sentido a seus últimos dias...

Trechos:

Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem de minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um signo do Zodíaco!


(Memórias de Minhas Putas Tristes - Pg. 74)

Preciso complementar o trecho? O Gabriel foi direto, disse tudo que eu queria dizer, o que sinto, mas souber ver antes que: O AMOR não é um estado da alma, ah se eu soubesse disso antes...

Acabou pensando nele como jamais imaginara que se pudesse pensar em alguém, pressentindo-o onde não estava, desejando-o onde não podia estar, acordando de súbito com a sensação física de que ele a contemplava na escuridão enquanto ela dormia, de maneira que na tarde em que sentiu seus passos resolutos no tapete de folhas amarelas da pracinha custou a crer que não fosse outro embuste da sua fantasia.

Ai, ai... Embuste da fantasia? Sei não, mas sei lá...

Desde então comecei a medir a vida não pelos anos, mas pelas décadas. A dos cinqüenta havia sido decisiva porque tomei consciência de que quase todo mundo era mais moço que eu. A dos sessenta foi a mais intensa pela suspeita de que já não me sobrava tempo para em enganar. A dos setenta foi temível por uma certa possibilidade de que fosse a última. Ainda assim, quando despertei vivo na primeira manhã de meus noventa anos na cama feliz de Delganina, me atravessou uma idéia complacente de que a vida não fosse algo que transcorre como o rio revolto de Heráclito, mas uma ocasião única de dar a volta na grelha e continuar assando-se do outro lado por noventa anos a mais.

Detalhe: Aos 90 anos buscando uma virgem, pode uma coisa dessa? Mas o livro na essência não tem nada de sacanagem é uma história bela de amor, sim amor puro e verdadeiro. Uma criatura ‘beirando’ 90 anos em busca de uma virgem?

Porque o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e humanizar mediante a confrontação descarnada com a realidade. Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte."

Bom, ai ele descreve um pouco sobre a profissão, acabei lembrando de um amigo, mas no entanto não é o que convém... A paixão e as migalhas, o orgasmo por orgasmo... coisa sem graça neh? Calma, posso utilizar das palavras de Gabriel para dá um outro rumo a isso.

"(...) o que você vive ninguém rouba... não vá morrer sem experimentar a maravilha de trepar com amor."

“O sexo é o consolo que a gente tem quando o amor não nos alcança”

Discordo do autor! O Ato é quase que sagrado, simbólico... Não se pode utilizar desse “consolo” para simplesmente saciar a fome por sexo, desejo por desejo... coisa sem sentido!

“Tomei consciência de que a força invencível que impulsionou o mundo não são os amores felizes mas os contrariados.”

Ah! isso eu sei, como sei!

2 comentários:

  1. rs... é sempre bom mesmo funçar as bagunças...
    Seu Blog é lindo... Parabéns!

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  2. Dágina,

    sou amante de livros e contos, e esse me chamou atenção. AMEI, simplesmente AMEI o primeiro trecho e os outros também com uma veracidade e sinceridade que poucos teriam coragem de assumir, também não concordo com tudo. Só posso dizer que o primeiro trecho diz muito de mim... :)
    Obrigada por ter visitado meu blog, estou voltannndo para o mundo blogueiro e pode ter certeza que sempre passarei por aqui para fazer uma visitinha =]


    ps: adorei o seu blog, seja sempre bem vinda lá no meu...=)

    smacK

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