sábado, 9 de outubro de 2010

E eu que não sabia dividir hoje estou sem você


Sábado, 11:30 toca o telefone, é seu número, viro de um lado para o outro até alcançar o óculos que está na escrivaninha. Todos na casa já dormem e agora posso ter a certeza que é você, mas afinal uma hora dessas? Minha insegurança logo é notada pelo tom da voz. Aos poucos abro os olhos. Você sem demora avisa: cheguei querida, quero você aqui.E as obrigações? preciso acordar amanhã muito cedo...Sem pensar jogo tudo para o alto, tomo um banho rápido, visto a melhor roupa, passo no corpo aquele cheiro que você gosta. Você já me espera no portão. Não pude me conter e te abraço forte foram longos os dias sem você. Como vai a faculdade? o trabalho? o pessoal em casa? lembro ainda que me contou o quanto estava difícil as coisas pra você, os artigos, a tese, as aulas de campo, inúmeras cobranças mudo rapidamente o assunto, sinto pavor só em lembrar que aquele era o motivo pra você ter ido pra tão longe de mim. Egoísmo eu sei.
Você está diferente, calado,um pouco distante... é o cansaço da viagem quis pensar assim. Tratei logo de preparar algo, mas a geladeira está vazia... afinal ninguém freqüentava aquela casa além de nós dois. Ali tudo cheirava a você, seus cadernos, roupas, sapato sujo e no banheiro as duas escovas, meu vestido verde, meu óculos escuro, um livro de macro, tudo ainda do mesmo jeito. Você permanecia distante. Os beijos eram demorados, poucas palavras, você me abraçava forte como se fosse pra me consolar. Eu não entendia. Fizemos amor e dormimos. Eu mal sabia que aquela era a nossa última noite juntos.


DC

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