Se as coisas eram da maneira que o anatomista propunha, o Amor Veneris constituía um verdadeiro instrumento de potestade sobre a volátil vontade feminina. Por certo, a publicidade do descobrimento conduziria, forçosamente, a todo gênero de danos. O que sucederia se o achado de Mateo Colombo caísse nas mãos dos inimigos da Igreja? A que calamidades não seria confrontada a Cristandade se, do feminino objeto do pecado, se apoderassem as hostes do demônio ou, pior ainda, se as próprias filhas de Eva descobrissem que possuem no meio das pernas, as chaves do céu e do inferno? A lógica do descobrimento era a seguinte: se o Amor Veneris é o órgão que governa a vontade da mulher, a arte da medicina é que irá proporcionar o domínio do lascivo Amor Veneris e, por ação transitiva, quem governar aquele órgão haverá de governar a vontade feminina. Mas como se obtém o governo do Amor Veneris?; mediante as sábias artes da medicina ou, se for o caso da cirurgia. Saber tocar. Saber cortar.
O Anatomista - Federico Andahazi, Pág. 174

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