quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Me ame, ou ama-me?



Repetidas vezes Gabriel gritava ao pé do ouvido diante das situações adversas[1], como se fosse possível controlar, como se houvesse a medida de amar (será ‘meu’ Santo Agostinho que a medida de amar é amar sem medida?).
Ela durante muitos dias privou-se de sensações, das emoções, das dores de cabeça e das pequenas alegrias que só o amor trazia. Agora não saberia dizer se era possível sair imune, sem dano da situação que ela mesma armará (armará ou amará?) havia uma dúvida na conjugação dos verbos, dos pronomes (ele sentia o mesmo? haveria uma reciprocidade?).
Ela não sabia se a troca de endereços fora bem sucedida, se de fato chegaria a sua residência a camiseta da Mafalda, a amiga super sincera que lhes uniu na casualidade de um bar qualquer, naquela noite que havia terminado entre os trilhos e aventuras de um trem que nem se quer partiu...  

DC





[1] "E nunca teve pretensões de amar e ser amada, embora sempre nutrisse a esperança de encontrar algo que fosse como o amor, mas sem os problemas do amor." Gabriel G. Márquez.

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