domingo, 16 de fevereiro de 2014

Quem traça é o destino



[...]

Como o colchão não era ortopédico, a espuma fazia ondas como o mar. A cama não rangia incomodando o vizinho. Estavam no apartamento dele. Alguém falou. "Calminha, calminha". Depois o angustiante manejo continuou normal.

Após demorados agradáveis exercícios, os dois respiraram profundamente de satisfação. Ela voltou a posição inicial, jogou, novamente, as pernas para os lados, botou as mãos na cabeça e fechou o olhos. Como se pensasse bem distante.

Ele, querendo comprovar que amor não é somente ginástica, deitou-se sobre o corpo da momentânea rainha de seu coração, ficou a cheirá-la e a mordê-la, com muita cautela, no pescoço. Quando ela fechou os olhos ele passou a beijá-los. Primeiro um, demoradamente. Depois outro. Assim ficaram até a vontade de tomar banho.

[... Censurado?! rsrs]

Ela conversou pouco. Apenas que casara virgem. Casara para satisfazer a família. E o marido, um animal manso. Termina de se satisfazer pula da cama, vai tomar banho e a deixa sozinha. Quando o melhor são os afagos após os rebuliços das articulações. Revelou ser ele o primeiro homem que "se deita comigo, além de meu marido".

Aliás, minha avó costumava nos dizer: "Filhas, os homens de hoje, só querem as mulheres para montar, como os animais de seu pai no curral". E, isso, há muito tempo, ela dizia. Com certeza ouvira de algumas amigas, porque, além de muito religiosa, achava um pecado mortal um homem namorar mais de uma mulher e vice-versa.

"Como você simpatizou-me a ponto de aceitar fazer amor?".

Quiz matar a curiosidade o matreiro conquistador. Ela disse que estava com enjoo do marido, simpatizara com aquele homem alegre, cabelos grisalhos, vestido sem muita pompa e observando-me com os olhos reluzentes, embora tenha soltado um galanteio com o olhar. E, logo numa livraria, remexendo e separando livros. Tudo isso somou.

"Lembrei-me de minha avó. Os homens de hoje só querem montar. Não sabem o que é amor. Senti que um homem com aquela idade, o cabelo revelando, mais ou menos, a sua experiência de vida, não podia ser um animal semelhante aos conquistadores de hoje. Aí arrisquei. E, não estou arrependida. Só não quero deixar meu marido enquanto minha mãe for viva. Ela adorou esse casamento".

"A vida é assim. Quem traça é o destino", complementou Genésio. 


Autor: Gervásio de Paulo, colunista do Diário do Nordeste.
Fortaleza, Ceará 26 de junho de 2013.

Brasil X Uruguai - Copa das Confederações.

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