Talvez nem doa tanto,
vai ver é só mais um esforço pra escrever uma mentira que pareça real, como os
dias que passaram.
Daqueles dias em que o
cansaço físico, precisa de uma justificativa mental, é provável que seja
produto do meu inconsciente pra consumir aquele vinho ruim e barato que você
esqueceu aqui...
Confesso que ainda
tenho dúvidas sobre você, se era de fato mau caráter ou bipolar, prefiro
acreditar na segunda hipótese dessa forma ainda guardo alguma lembrança boa que
esses dias foram capazes de produzir em mim. Porque afinal não dá pra ver só o
lado ruim das coisas, e nesse caso o nosso caos trouxe-me coisas boas, algumas
risadas, carinhos, cuidado, afeto, das
quais hoje duvido... Situações que realmente mereciam interrogação, mas
prefiro o uso do ponto, sem mais nenhuma vírgula, nem pausa ou travessão.
A carcaça é de aço, mas
o coração é composto de uma substância ainda não identificada, por isso essa
vulnerabilidade e aptidão pra entrar e sair das “conduções”. Me perdoe os termos e a preeminente
arrogância, mas não posso usar outro tom pra falar contigo que usou da voz e do
jeito manso pra conseguir uma cópia da chave daqui.
Você que bateu por
diversas vezes na tecla e na porta, que insistiu em quebrar os cadeados, já não
há mais o que fazer por aqui, vá pegue o nada que ficou e não olhe para trás.
Meu ritmo é outro, o
trem do qual tenho passagem já tá pra
chegar e eu não posso mais perder tempo aqui tentando explicar uma coisa que
talvez não sinta.
Coisas que servem
apenas pra preencher espaços e linhas.
DC

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