terça-feira, 20 de maio de 2014

Passou da hora, mas não perdi o bonde



Talvez nem doa tanto, vai ver é só mais um esforço pra escrever uma mentira que pareça real, como os dias que passaram.
Daqueles dias em que o cansaço físico, precisa de uma justificativa mental, é provável que seja produto do meu inconsciente pra consumir aquele vinho ruim e barato que você esqueceu aqui...
Confesso que ainda tenho dúvidas sobre você, se era de fato mau caráter ou bipolar, prefiro acreditar na segunda hipótese dessa forma ainda guardo alguma lembrança boa que esses dias foram capazes de produzir em mim. Porque afinal não dá pra ver só o lado ruim das coisas, e nesse caso o nosso caos trouxe-me coisas boas, algumas risadas, carinhos, cuidado, afeto, das  quais hoje duvido... Situações que realmente mereciam interrogação, mas prefiro o uso do ponto, sem mais nenhuma vírgula, nem pausa ou travessão.
A carcaça é de aço, mas o coração é composto de uma substância ainda não identificada, por isso essa vulnerabilidade e aptidão pra entrar e sair das “conduções”.  Me perdoe os termos e a preeminente arrogância, mas não posso usar outro tom pra falar contigo que usou da voz e do jeito manso pra conseguir uma cópia da chave daqui.
Você que bateu por diversas vezes na tecla e na porta, que insistiu em quebrar os cadeados, já não há mais o que fazer por aqui, vá pegue o nada que ficou e não olhe para trás.
Meu ritmo é outro, o trem do qual tenho passagem já tá  pra chegar e eu não posso mais perder tempo aqui tentando explicar uma coisa que talvez não sinta.
Coisas que servem apenas pra preencher espaços e linhas.


DC



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