"Assim como lavamos o corpo deveríamos lavar o destino, mudar de
vida como mudamos de roupa - não para salvar a vida, como comemos e
dormimos, mas por aquele respeito alheio por nós mesmos, a que
propriamente chamamos asseio. Há muitos em quem o desasseio não é uma
disposição da vontade, mas um encolher de ombros da inteligência. E há
muitos em quem o apagado e o mesmo da vida não é uma forma de a quererem,
ou uma natural conformação com o não tê-la querido, mas um apagamento
da inteligência de si mesmos, uma ironia automática do conhecimento.
Há porcos que repugnam a sua própria porcaria, mas se não afastam dela,
por aquele mesmo extremo de um sentimento , pelo qual o apavorado se não
afasta do perigo. Há porcos de destino, como eu, que se não afastam da
banalidade quotidiana por essa mesma atração da própria impotência. São
aves fascinadas pela ausência de serpente; moscas que pairam nos troncos
sem ver nada, até chegarem ao alcance viscoso da língua do camaleão.
Assim passeio lentamente a minha inconsciência consciente, no meu tronco
de árvore do usual. Assim passei o meu destino que anda, pois eu não ando;
o meu tempo que segue, pois eu não sigo."
F. Pessoa em suas "diversas" pessoas...
Porque o novo antes de tudo tem sido silêncio, reflexão, balanço, encontro...
Novas metas!!
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